As ações de assistência técnica e extensão rural e os cursos de capacitação promovidos pelo NGPS/Univasf, com apoio do MIDR, têm contribuído para transformar a realidade de famílias e garantir a segurança alimentar e nutricional
Texto e fotos: Ascom NGPS/Univasf

Um ambiente de valorização dos saberes ancestrais que gera renda e garante segurança alimentar e nutricional para as famílias rurais, os quintais produtivos são espaços desenvolvidos ao redor da casa, utilizados majoritariamente pelas mulheres para o cultivo de alimentos, plantas medicinais e a criação de pequenos animais.
A Vila Produtiva Rural (VPR) Queimada Grande, localizada em Salgueiro-PE, abriga cerca de 40 famílias, das quais 25 foram reassentadas, inicialmente, pela Transposição do Rio São Francisco. Entre as beneficiárias do programa está a agricultora Marinalva Francisca Bezerra (55), cujo quintal agroecológico garante à família geração de renda, segurança alimentar e empoderamento feminino. Coentro, cebolinha, alface, couve, rúcula e pimentão são algumas das hortaliças e folhagens encontradas na área de cultivo da agricultora. “Faço pequenas entregas aqui na Vila, algumas na cidade e, como pequena agricultora, minha fonte de renda é essa”, destacou Marinalva Bezerra.
Todas as manhãs, Marinalva realiza o cuidado diário com o quintal. A produção alimenta sua residência, e o excedente é comercializado porta a porta na comunidade ou no município de Salgueiro, com entrega a clientes fixos. No passado, a realidade de Marinalva era outra: atuava como assalariada rural na fruticultura da região do Vale do São Francisco. Com a chegada da transposição das águas do Velho Chico, a produção agroecológica nos quintais transformou a vida da agricultora e de diversas famílias.
“Crio pequenos animais, algumas ovelhas, e sou muito grata a Deus e, em segundo lugar, ao pessoal do NGPS/Univasf e do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que nos apoia nesse trabalho. No passado, eu não tinha conhecimento, porque não trabalhava com essas coisas. Hoje, após as orientações, trabalho focada no aumento da produção”, afirmou a agricultora.

Nos quintais produtivos implantados pelo NGPS/Univasf e MIDR, assim como nas hortas comunitárias agroecológicas também implantadas nas Vilas Produtivas do PISF, predominam o cultivo de hortaliças folhosas, tubérculos, frutas e plantas medicinais, entre outras culturas.
ORIENTAÇÕES TÉCNICAS: A assistência técnica e extensão rural e os cursos de capacitação promovidos pelo Núcleo de Gestão de Projetos Sociais (NGPS) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), por meio do apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), têm fomentado a autonomia econômica e social das mulheres das Vilas Produtivas Rurais do PISF.
Por meio da execução do Programa Básico Ambiental 08 (PBA 08), atualmente são atendidas 848 famílias originárias, em 18 vilas produtivas rurais nos estados de Pernambuco, Paraíba e Ceará, ao longo dos eixos Norte e Leste do PISF, com orientações pautadas na participação efetiva da comunidade na tomada de decisões.
PARTICIPAÇÃO COLETIVA: Para a execução do trabalho de assistência técnica e extensão rural nas comunidades de atuação, de acordo com a gerente de Extensão do NGPS/Univasf e engenheira agrônoma Karla Amariz, o Núcleo atua desde a identificação das áreas com potencial para a montagem de Unidades Demonstrativas de Produção (UDPs) até as ações de instalação, garantindo apoio material e técnico para, junto com a comunidade, realizar as atividades.

“O fortalecimento da comunidade se dá em todo o processo, a partir do reconhecimento daquele espaço como promotor de desenvolvimento, transformação, geração de renda e autonomia das mulheres”, explicou Amariz.
METODOLOGIA PARTICIPATIVA: Formada por uma equipe interdisciplinar de profissionais, estruturada, em sua maioria, por mulheres, o NGPS, por meio das gerências técnicas de Extensão e Gestão Social, adota a seguinte metodologia de trabalho nas comunidades de atuação: após a identificação de espaços potenciais para a instalação de UDPs ou das demandas apresentadas pelos agricultores familiares, a equipe do Núcleo se mobiliza, realiza visitas, elabora o projeto de aplicação nas Vilas, organiza mutirões para a instalação das Unidades Demonstrativas de Produção e garante acompanhamento periódico para a realização de orientações técnicas. A comunidade também recebe assessoramento para acesso aos mercados e comercialização de produtos.